Silvia Tezza terminou, em 2015, a licenciatura em Ciências e Tecnologias Agrícolas com uma certeza inabalável: não iria colocar em prática o que tinha aprendido durante o seu percurso académico, ou seja, não iria usar herbicidas, fungicidas, adicionar produtos químicos, implementar aumentos de produção das vinhas, utilizar tecnologia na adega. Estava apostada em fazer exatamente o oposto do que lhe tinham ensinado. Decidiu, então, com a preciosa ajuda do seu tio Maurizio, recuperar Il Roccolo di Monticelli, uma propriedade familiar com oliveiras centenárias, árvores de fruta e vinhas com mais de cinquenta anos. Hoje em dia, todos os membros da família ajudam no trabalho da vinha e da adega, bem como nas vendas e participação em eventos promocionais.
Il Roccolo di Monticelli está situada nas colinas de Vallata di Mezzane, na província de Verona, e nela o trabalho é baseado na comunhão de esforços de toda a família, todos auxiliando nas tarefas agrícolas, não só na feitura de vinho, mas também na produção de de fruta, azeite e mel. O nome da propriedade faz referência a uma antiga torre de observação e de caça de pássaros (“roccolo”, em italiano) que fica localizada bem perto dos vinhedos. Apesar da família ter feito vinho ao longo dos tempos para seu próprio consumo, a agricultura nunca foi a principal atividade de qualquer pessoa na família, por isso esta é a primeira vez que estão a produzir vinho para ser vendido.
O objetivo de Silvia é, desde a vinha até à adega, fazer vinhos saudáveis, com um forte sentido de identidade e personalidade, emanado do respeito ao ambiente e à biodiversidade da paisagem e do solo. Ao contrário do que lhe haviam ensinado na faculdade, a ênfase recai na qualidade, e não na quantidade. Todas as castas com as quais Silvia trabalha são autóctones da região, os solos não são irrigados nem são usados fertilizantes, uma vez que o objetivo é obter baixas produções, e a colheita é integralmente feita à mão para evitar a compactação dos solos e para manter a integridade da fruta. Recentemente, Silvia começou a utilizar práticas biodinâmicas na vinha, deixando igualmente as ervas e as flores silvestres crescerem livremente e assim viabilizar ainda mais a biodiversidade. Respeitando a tradição da família, os vinhos são macerados durante um bom período de tempo, sempre sem filtragem nem colagem, a fim de realçar um carácter dinâmico e persistente. Vinhos, sem dúvida, de meditação.