George Wolski pisou uvas pela primeira vez aos três anos de idade, sob a orientação do seu pai. Porém, a conexão familiar com o mundo do vinho remonta a duas gerações anteriores, uma vez que o seu avô, Alexander, plantou as primeiras vinhas da família em 1962, com o intuito de produzir vinho para consumo próprio, a cerca de 30 km de Tbilisi, a capital da República da Geórgia. Em 1984, o avô e o pai construíram a pequena adega familiar, o que viria a possibilitar a aprendizagem do jovem George do cultivo das vinhas e do processo de vinificação. No entanto, o destino fez com que no seu percurso académico acabasse por se doutorar em engenharia, realizando posteriormente um MBA na Grenoble Business School, o que fez com que durante algum tempo tivesse exercido funções executivas em empresas de comunicação.
Após o falecimento do seu pai, em 2015, George herdou a adega e os pequenos vinhedos familiares, e decidiu, no ano seguinte, dar continuidade à tradição familiar de produzir vinho, mas desta vez com um propósito comercial. De forma autodidata, aliando os seus conhecimentos de química e biologia à enologia, cimentou os conhecimentos que tinha adquirido, adquiriu mais qvevris e vinhas contíguas às da família, tendo hoje em dia na sua posse cerca de 10 hectares na região de Kakheti, junto ao rio Alazani, em solos maioritariamente de cascalho e argila, expostos a um clima seco dominado pelas montanhas do Cáucaso.
Na vinha, a maior preocupação de George é a qualidade das uvas. Para isso sacrifica a quantidade, não usando processos de rega nem qualquer tipo de fertilizantes ou fitossanitários, obtendo dessa forma uma quantidade muito menor de uvas do que é habitual nesta região. À entrada na adega as uvas são selecionadas e as que não são consideradas adequadas são usadas na produção de um destilado típico da Geórgia, a Chacha. Na adega, como não é usado qualquer produto químico, tão pouco sulfuroso, o cuidado com a higiene é extremo. É por isso que todos os objetos que entram em contato com as uvas, o mosto e o vinho, nomeadamente as cubas e os qvevris, estão sempre devidamente esterilizados.
Um outro desafio de George foi o de encontrar um nome para a vinícola. A escolha recaiu em “Andrias Gvino”, sendo que “Andrias” é o nome do filho de George e “Gvino” significa “vinho” na língua georgiana. Quando o pequeno Andrias cumpriu três anos, George deixou o seu filho pisar uvas pela primeira vez, tal como o seu pai havia feito com ele. Esse momento protagonizado por Andrias ficou registado numa fotografia que ornamenta todos os rótulos destes vinhos admiráveis.
"“Adoro fazer vinho. Adoro experimentar, adoro fazer algo único, adoro quando as pessoas gostam de beber os meus vinhos e tudo isto faz-me feliz. Para além disso, sou uma pessoa religiosa e, no cristianismo ortodoxo, o vinho tem um lugar de destaque e é considerado uma bebida espiritual/divina. É algo muito apreciado na cultura georgiana. Tanto que na Geórgia dizemos que, em vez de sangue, temos vinho nas veias”."
Andrias Gvino
| Nome da Propriedade | Andrias Gvino |
|---|---|
| País | Geórgia |
| Região | Kakheti |
| Área da Vinha | 10 hectares |
| Viticultura | Orgânica |
| Terroir | Vinhas pré-filoxera, o que significa que as vinhas não são enxertadas e são plantadas nos seus porta-enxertos naturais. Solos de cascalho e argila. Clima seco e constantemente sujeito aos ventos que provêm das montanhas do Cáucaso. Produção anual de cerca de 20000 garrafas. |
| Castas | Chinuri, Khikhvi, Kisi, Mtsvane, Rkatsileli, Saperavi, Vardisperi |